O Concerto da Orquestra Sinfônica da UFMG acontecerá no dia 19 de setembro, às 19h30, no Auditório da  Escola de Música da UFMG.
 
O concerto será gratuito, aberto ao público em geral e serão apresentadas as obras:
 
Abertura Sonho de uma Noite de Verão, de Felix Mendelssohn
Adagietto da Sinfonia No.5, de Gustav Mahler
Blumine, da Sinfonia n.1, de Gustav Mahler
Finlândia, op.26, de Jean Sibelius

NOTAS DE PROGRAMA

 

MENDELSSOHN nasceu numa família abastada e culta, que proveu a ele e à sua irmã Fanny todo apoio e educação artística, literária, cientifica e filosófica.  Mesmo com uma vida relativamente curta, (38 anos), ele se tornou um dos músicos mais famosos do período inicial do romantismo, se destacando como compositor, regente, pianista, organista, educador e administrador. Estilisticamente, o musicólogo R. Larry Todd define sua música como “uma tensão fundamental entre classicismo e romantismo na geração de compositores alemães pós-Beethoven”.

 

A Abertura Sonhos de Uma Noite de Verão foi composta aos seus 17 anos. Em forma sonata, a exposição e a recapitulação se iniciam com 4 acordes na região aguda dos sopros, que são também ouvidos ao final da obra. Estes acordes abrem e fecham as cortinas da fantasia, nos transportando, com três temas, para o mundo encantado das fadas, elfos e burros, respectivamente, da narrativa Shakespeareana.

 

Também judeu, mas diferentemente de Mendelssohn, MAHLER era da classe média-baixa. Junto com Schoenberg, Berg e Webern representa a força progressiva na música vienense. Ele rompe com a tradição da sinfonia, uma estrutura em 4 movimentos e com certos tempos e estilos, a fim de, nas palavras do compositor, “construir um mundo com todos os meios técnicos à sua disposição”. Seu foco como compositor era a sinfonia e a canção, que para ele se influenciavam mutualmente, resultando em sinfonias imprevisíveis em termos de número e estilos dos movimentos, duração (movimentos variam de cerca de 45 minutos a 5 minutos), afetos; e para Mahler estes extremos retratam nosso dia a dia.

 

O Adagietto da Sinfonia n.5 faz parte de seu 2 período criativo, onde ele estava menos interessado em pensamentos programáticos, mas Willem Mengelberg, regente holandês, revela que ela é uma declaração de amor (sem palavras), do compositor para sua esposa Alma. A orquestração do Adagietto é mais leve que qualquer outro movimento sinfônico escrito por Mahler, somente cordas e harpa. Em forma ABA, as cordas se alternam entre as que cantam a melodia e as que sustentam a harmonia, enquanto a harpa acompanha com acordes quebrados. Sua força emotiva reside tanto nas suas melodias extremamente inspiradas, como em seu rico aspecto harmônico (em Fá Maior, passa por SolbM, LaM e ReM) e dinâmico (com intensidades que vão de pppp à ff).

 

Blumine foi composto originalmente como uma obra incidental, uma serenata ao luar, composta para a apresentação da peça “O trompetista de Säkkingen”, baseada no conto de Scheffel. Mahler utiliza Blumine como o segundo movimento da Sinfonia n.1, praticamente sem revisões. A sinfonia foi originalmente inscrita como poema sinfônico e continha cinco movimentos, organizados em 2 partes. Na revisão da obra Mahler adota o nome sinfonia e exclui Blumine por o julgar muito emotivo e se refere a ele como uma “loucura juvenil” do herói representado na 1 Sinfonia.

 

Em 1899 SIBELIUS escreveu uma série de 6 quadros representando episódios do passado Finlandês, um gesto nacionalista e de resistência. A música foi composta para as celebrações em homenagem à imprensa finlandesa num período de grande tensão política, durante o domínio da Rússia sobre a Finlândia. O poema sinfônico Finlândia é resultado da revisão do último quadro “A Finlândia Desperta”, se inicia com acordes fortes e expressivos nos metais e retrata a enorme força de resistência da nação finlandesa.

 Iara Fricke Matte

Concerto da Orquestra Sinfônica da UFMG