Processo seletivo para estágio em Assessoria de Comunicação

O Ars Nova – Coral da UFMG abre uma vaga de estágio para Assessoria de Comunicação. A inscrição para o processo seletivo deve ser feita até o dia 01/07/2021 através do e-mail arsnovaufmg@gmail.com. As informações completas estão disponíveis no Edital.

Resultado:

Vinícius Fernandes de Oliveira – Classificado em primeiro lugar

Maria Luíza Cunha da Silva – Classificada em segundo lugar (lista de espera)

Thiago Galvani – Classificado em terceiro lugar (lista de espera)

Processo seletivo para bolsista de produção cultural

O Ars Nova – Coral da UFMG abre uma vaga para bolsista de extensão na área de produção cultural. A inscrição para o processo seletivo deve ser feita até o dia 01/03/2021 através do e-mail arsnovaufmg@gmail.com.

As informações completas estão disponíveis no Edital.

Resultado:

Leonardo da Silva Santos – Classificado em primeiro lugar
Nuri Macêdo Carvalho – Classificado em segundo lugar (lista de espera)

Baião Armorial: Ars Nova – Coral da UFMG lança música inédita e exclusiva sobre a pandemia

Com equipe criativa expandida, a produção virtual reúne o compositor Maurício Detoni, a poeta Etel Frota e o diretor cênico Ernani Maletta, professor da Escola de Belas Artes da UFMG

Fruto de co-criações à distância e com uma letra potente, o novo coro virtual do Ars Nova é um retrato dos tempos em que estamos vivendo. A música Baião Armorial foi escrita por Maurício Detoni e Etel Frota para o “Concurso de composição de obra coral para execução através de gravação virtual pelo Ars Nova – Coral da UFMG” e posteriormente gravada sob direção de vídeo de Ernani Maletta, dramaturgo e professor da Escola de Belas Artes da UFMG, e direção musical de Lincoln Andrade, regente do Ars Nova. O lançamento inédito, com forte inspiração no teatro e um solo de Detoni, já está disponível:

Um tempo que pede criatividade

Em meio aos desafios impostos pela pandemia, a vontade de continuar fazendo música levou o Ars Nova a novas possibilidades. Desde março, o grupo vem lançando coros virtuais – produções realizadas de maneira remota, com cada músico em sua casa. Atualmente, o Ars Nova já possui um repertório de nove vídeos com mais de 22 mil visualizações.

Com a boa recepção do projeto, o coro promoveu um Concurso de Composição entre julho e agosto a fim de selecionar uma música autoral e inédita especialmente criada para esse formato virtual. Entre 88 inscrições de todas as regiões do Brasil, a premiada Baião Armorial se destacou com a música do compositor e arranjador Maurício Detoni e a letra da poeta Etel Frota.

Detoni, cuiabense residente em São Paulo, já foi regente de coros no Mato Grosso e no Rio de Janeiro, além de ter cantado no grupo Garganta Profunda e participado de diversos espetáculos musicais. Etel Frota, do Paraná, já compôs para grandes artistas da MPB, como Maria Bethânia, e é membro da Academia Paranaense de Letras. A dupla escreveu Baião Armorial à distância, pela internet e de forma simultânea, com a letra contribuindo para a música e a música contribuindo para a letra.

“Do mesmo jeito que o Ars Nova está aprendendo a montar uma obra inédita já nesse formato para apresentar, nós também estamos aprendendo a compor. Nós compusemos isso ‘do zero ao cem’ no Whatsapp. Maurício cantarolava uma estrofe e eu ia trabalhando na letra. Foi absolutamente interativo”, disse Etel Frota no programa Conversa com o Maestro.

Sentimentos coletivos

Atravessando fronteiras geográficas entre os compositores e até o Ars Nova, coro de Minas Gerais, Baião Armorial ainda tematiza, em sua letra, o contexto brasileiro atual. Além da pandemia, o texto narra episódios específicos como os incêndios no Pantanal e a nuvem de gafanhotos que atingiu o sul do país.

“São assuntos ruins, mas o poema não é duro. Ele traz um certo lirismo”, comentou o maestro Lincoln Andrade. Etel Frota, na sequência, completou: “Mas sem deixar de mergulhar em um momento de profunda tristeza, que é o momento armorial. Nós temos o momento de indignação, nós temos o momento de profunda tristeza, mas nós acabamos pedindo que nosso olhar de ver a beleza e de ver a esperança se salve. Nós [Etel e Maurício] acabamos transitando pelas emoções que todos estão vivendo, todos os dias, pelos últimos sete meses.”

Inspiração no teatro

Para traduzir a proposta da música em um vídeo feito em casa, o Ars Nova convidou o diretor cênico e professor da Escola de Belas Artes da UFMG Ernani Maletta, nome presente nos espetáculos Carmina Burana: uma Cantata Cênica, em Belo Horizonte e O Grande Circo Místico, no Rio de Janeiro, como diretor musical, e Ifigênia em Áulis (Eurípides) e Electra (Sófocles), no Teatro Greco di Siracusa, na Itália, como dramaturgo musical, entre outros.

“Quando o Lincoln me chamou para fazer a criação do vídeo, a primeira coisa que eu quis foi ser muito fiel ao meu lugar na arte, que é nesse entrelaçamento entre o teatro e a música, então a minha preocupação foi encontrar uma dramaturgia que se relacionasse à interpretação da música, seus aspectos sonoros e textuais, às frases rítmicas e melódicas. Embora a manifestação final não seja por intermédio do teatro, o caminho que eu usei para chegar no vídeo foi a ideia da cena”, disse Ernani Maletta ao Ars Nova.

A dramaturgia do vídeo ficou dividida em três momentos: alienação, medo e esperança. Além da letra, Ernani apostou em outros elementos que poderiam transmitir esses sentidos. A tela deixa de mostrar apenas o naipe que está cantando cada estrofe, como vinha acontecendo nos coros virtuais anteriores, e passa a mostrar mais pessoas realizando outras atividades.

“Tive a ideia de usar todas as interferências que eu coro faz quando ele não está carregando a letra da música como uma espécie de reação a essa letra. É um texto muito forte, que traz uma denúncia muito significativa da situação complexa que o país vive. Ao mesmo tempo que um dos naipes está como enunciador do texto, os outros naipes têm outro tipo de proposta sonora, fazem outro tipo de onomatopeia de som, outros fonemas”, afirmou Maletta.

O vídeo final da música a capella conta com os vinte e um cantores do Ars Nova e mais sete membros da equipe que foram convidados a atuar.

O coro virtual de Baião Armorial tem montagem, mixagem e edição de áudio de Igor Leandro com assistência de Lincoln Andrade, montagem e edição de vídeo de Leonardo Clementine e solo de Maurício Detoni. O grupo de trabalho de criação do vídeo, com direção de Ernani Maletta, é composto por Dayvid Lucyan, Gustavo Piffer, Letícia Muniz, Riane Menezes, Sarah Reis e Tayane Bragança. A realização é da Universidade Federal de Minas Gerais, da Escola de Música da UFMG e da Pró-Reitoria de Extensão da UFMG.

Ars Nova participa de festivais nacionais e internacionais

Diante da pandemia global do novo coronavírus, estamos em atuação totalmente remota, sem encontros presenciais, desde março. Mas isso não significa que nossa agenda está parada!

No segundo semestre de 2020, temos presença marcada em vários festivais de música coral erudita, popular, nacional e até internacional! Participamos desses eventos digitais com os nossos coros virtuais e alguns vídeos inéditos, gravados antes da pandemia.

No dia 28 de agosto, participamos do 55º Festival de Coros Fecors com o coro virtual de Ponto de Oxum-Yemanjá, de Carlos Alberto Pinto Fonseca. O evento da Federação dos Coros do Rio Grande do Sul contou com um total de 40 grupos de coral! Você pode assistir à transmissão neste link.

No dia 30, aconteceu o Festival Internacional de Coros de Porto Alegre “In Linea”. Em italiano, “in linea” significa “online”, e é justamente essa a proposta do festival: prestigiar as produções à distância de corais do mundo inteiro. Tivemos a honra de representar Minas Gerais e o Brasil com nosso coro virtual de Agnus Dei, da compositora Emily Doll. A transmissão está disponível neste link!

Siga o Ars Nova no Facebook e no Instagram para acompanhar as informações dos próximos festivais.

Coro virtual do naipe feminino enche o céu de estrelas

Em novo coro virtual, as vozes do naipe feminino, acompanhadas por piano e flauta transversal, apresentam a canção Estrela, Estrela, de Vitor Ramil.

Estrela, Estrela faz parte do Medley Milton Nascimento, com arranjos vocal e para flauta transversal de Lincoln Andrade e arranjo instrumental e versão para piano de Fred Natalino. Nesse formato virtual, o Ars Nova escolheu um trechinho do Medley para apresentar ao público à distância! Assista agora:

As vozes são de Amanda Moreira, Letícia Muniz, Lúcia Melo, Ariel Castilho, Núbia Eunice, Mariana Redd, Carol Claret, Sarah Reis, Sávio Fàschét e Sônia Apcon. O piano é tocado por Bruno Cruz e a flauta por Lúcia Melo. A produção é de Riane Menezes com assistência de Carolina Claret, e a mixagem de áudio e a edição de vídeo são de Leonardo Clementine.

O coro virtual é uma produção realizada à distância, com cada cantor na sua casa. Sua realização tem parceria da Universidade Federal de Minas Gerais, da Escola de Música da UFMG e da Pró-Reitoria de Extensão da UFMG. O repertório de coros virtuais já lançados é diverso, incluindo as canções Apesar de Você, de Chico Buarque, MLK, do U2, Serenata na Floresta, de Schubert e outros. Todos os vídeos já estão disponíveis no Youtube.

O Ars Nova e os maestros

São muitos os maestros do Ars Nova. A frase soa inesperada quando se considera a tendência natural dos admiradores, seguidores e ex-integrantes de associar a vida do Coral à pessoa de Carlos Alberto Pinto Fonseca, seu maestro durante mais de 40 anos, cuja regência e obra deixaram uma grande marca no coro e fora dele e, sem dúvida, ainda inspiram os que o sucederam e vários dos seus contemporâneos, maestros de corais no Brasil e no exterior. 

É justo lembrar que, durante a sua já longa vida, o Ars Nova teve cinco regentes titulares que precederam o atual. O primeiro, Sérgio Magnani, conduziu o grupo desde a sua criação em 1959 até o início da próxima década, quando transmitiu a Carlos Alberto Pinto Fonseca o cargo de regente do Coral Universitário ou Coral da UEE, como também era conhecido. O maestro Carlos Alberto, autor da sugestão de mudança de nome para Coral Ars Nova, esteve oficialmente à sua frente até o ano de 2003 quando se aposentou compulsoriamente como funcionário da UFMG e repassou o cargo ao seu assistente, Rafael Grimaldi, que nele permaneceu até o seu falecimento súbito e precoce em 2008. A incumbência de conduzir o Coral foi então assumida por Willsterman Sottani, aluno da pós-graduação na Escola de Música da UFMG e autor de dissertação de Mestrado sobre o trabalho de Carlos Alberto como regente do Ars Nova. Dois anos depois, o jovem maestro teve que deixar Belo Horizonte e o Coral se viu subitamente acéfalo. Suas atividades foram interrompidas até 2013 quando voltou a funcionar sob a regência da profa. Iara Fricke Matte, principal responsável pelo seu processo de reestruturação. Em 2017 assumiu o cargo o prof. Lincoln Andrade, atual regente titular.

É interessante, no entanto, lembrar também que muitos cantores que passaram pelo Ars Nova tiveram a experiência de serem regidos por outras pessoas em trabalhos mais longos ou de curta duração – assistentes dos maestros, regentes convidados e, pontualmente, por cantores do coro com treinamento em regência. Ou ainda por regentes de outros corais em trabalhos conjuntos ou em eventos como Festivais, como foi, por exemplo, com os maestros Charles Roussin, quando titular da Orquestra Sinfônica e do Coral Lírico de Minas Gerais e com o alemão Holger Kolodziej, durante o período em que dirigiu a Orquestra Sinfônica de MG. 

Da mesma forma, alguns de nós “históricos” cultivamos até hoje a lembrança de cantar sob o comando de Robert Shaw (EUA), durante o II Festival de Corais Universitários em New York, 1969. Já os tenores dos anos 1980 gostam de se lembrar da inglesa Jane Glover, que conheceram no I World Chorus Symposium em Viena, em 1987, com a qual o Ars Nova ensaiou trechos da Missa Solemnis de Beethoven. Segundo o folclore do “GNT” (o “Glorioso Naipe dos Tenores”, na nomenclatura que criaram na época), a maestrina teria se encantado com a performance dos rapazes durante os ensaios, a ponto de querer levá-los para Londres. Um bom exemplo de que cantar sob a regência de um “estranho” pode ser uma experiência, no mínimo, interessante.

Maestros convidados

Este texto foi pensado de várias formas, com o foco na atuação de maestros que não os titulares, em trabalhos com o Ars Nova. Durante a sua elaboração, chegou a vir à mente a ideia de incluir aqueles seus membros que se tornaram regentes atuantes no Brasil e no exterior e também a dos descendentes, filhos de arsnovenses que desenvolvem trabalhos de regência, mas percebi que isso exigiria espaço e tempo difíceis de avaliar. Optei então por ficar apenas com o relato da participação de regentes convidados externos, poucos anos depois da fundação e nos primeiros 10 anos de vida do Coral. Durante esse período, o Ars Nova recebeu quatro ilustres maestros com os quais se apresentou em momentos que marcaram o início da sua história e certamente influíram na sua trajetória nos anos seguintes. 

O primeiro maestro convidado a reger o Ars Nova, então Coral Universitário, foi o mineiro Carlos Eduardo Prates que, em 21 de Abril de 1962, regeu o coro em Brasília no Teatro Dois Candangos como parte das comemorações da inauguração da Universidade de Brasília, a UnB, a convite do seu primeiro reitor, Darcy Ribeiro. Naquela ocasião, houve também uma apresentação na TV Nacional, emissora local da época. Infelizmente não pude encontrar registros, como o programa do concerto e outros detalhes da participação do Coral nesse evento tão importante da história da Universidade brasileira. A página do Arquivo Central da UnB contém as fotos da cerimônia assistida por uma grande plateia e imagens raras do Coral durante a apresentação e ao lado da mesa composta pelo jovem reitor e por autoridades representando os Três Poderes e a Igreja Católica.

Foto: Universidade de Brasília, Arquivo Central – AtoM UnB.

Natural de Belo Horizonte, Carlos Eduardo, o Caiado, como era conhecido no meio, aqui iniciou seus estudos, tendo sido aluno de Sergio Magnani (composição) e Hiram Amarante (piano). Caiado pertenceu a toda uma geração de músicos brasileiros formados por Hans-Joachim Koellreutter, com quem estudou em São Paulo, levado pelo colega Carlos Alberto Pinto Fonseca. Juntamente com Carlos Alberto e Isaac Karabitchevsky, em 1959 ajudou a fundar o Madrigal Renascentista. Em 1963, depois de conquistar o primeiro lugar no Concurso para Jovens Regentes de São Paulo, partiu para estudos na Alemanha, onde teve professores como Herbert von Karajan e Carl Ueter. Alcançou reconhecimento internacional e foi regente titular do Theatre des Westens, em Berlim. De volta ao Brasil, Carlos Eduardo Prates exerceu diversas funções, como a de regente titular da Orquestra Sinfônica Nacional da Rádio MEC e do Coral da Rádio MEC. Em Belo Horizonte, durante o governo de Tancredo Neves, foi regente da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e do Centro de Produção Lírica do Palácio das Artes. Faleceu em Outubro de 2013.

Três anos depois do maestro Prates, o Ars Nova teve como convidado Ernst-Ulrich von Kameke, regente de coro e compositor alemão, autor de obras para órgão e numerosas obras corais, organista e kantor na igreja de St. Petri, em Hamburgo durante 32 anos, além de professor de órgão na Universidade Estadual de Música e Teatro daquela cidade. Convidado a atuar como regente, palestrante e organista em vários países, von Kameke conhecia o Brasil e foi casado com a cearense Karin Krueder, com quem teve três filhos. Sua última grande obra é o Réquiem “In Tyrannos”, oratório para três coros e orquestra composto em 1994 e que celebra a resistência contra o III Reich, com base nas memórias de um tio e no desejo de capturar o horror na forma de música e texto. Em 1993, von Kameke fundou o MAS (Musik-Akademie für Senioren), uma Academia de Música para Idosos com o propósito de ensinar o poder da música sacra a pessoas de idade. Faleceu em abril de 2019, aos 93 anos. 

O Ars Nova foi regido por von Kameke em Setembro de 1965, na capela do Colégio Santa Marcelina e uma segunda vez, em Março de 1972. No programa do concerto de 1965, denominado “Concerto Espiritual”, constam peças da Renascença e do Barroco para coro a cappella ou acompanhado pela Orquestra de Câmara da UFMG, alternadas com obras para órgão executadas pelo maestro. O órgão Balbiani, vindo de Gênova por encomenda da madre superiora, diretora do Colégio e organista, fora inaugurado apenas um ano antes e é um dos três existentes em Belo Horizonte.

Henrique Morelenbaum é o nome artístico de Saul Herz Morelenbaum, maestro e professor brasileiro nascido na Polônia em 1931 e que estudou violino, viola, composição e regência na Escola de Música da UFRJ, sendo doutor em Música e professor na mesma Universidade. Conta-se que o início de sua carreira como regente ocorreu casualmente em 1959 quando, em um espetáculo onde a bailarina Margot Fonteyn era a artista principal, ele assumiu a batuta em virtude de um impedimento repentino do regente programado. Morelenbaum ocupou diversos cargos no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, inclusive como regente titular do coro. Seus três filhos são musicistas e o mais conhecido deles é Jacques Morelenbaum, violoncelista, compositor, arranjador, maestro e produtor musical de formação erudita, mas com trabalhos importantes em parceria com grandes nomes da música popular brasileira como Tom Jobim e Caetano Veloso e da música internacional.

Henrique Morelenbaum trabalhou com o Ars Nova como convidado em 1966, quando atuava no coro do Theatro Municipal e o maestro Carlos Alberto encontrava-se em viagem de estudos na Itália. Em Setembro daquele ano, regeu o Coral acompanhado pela Orquestra da UFMG no auditório da Reitoria da Universidade e na igreja de Lourdes, onde apresentaram a Cantata 140 de J.S.Bach em dois concertos que ainda são lembrados pelos coristas da época. 

Ars Nova sob a regência de Henrique Morelenbaum em 1966. Foto: Acervo do Ars Nova.

Roberto Schnorrenberg, nascido em São Paulo em 1929, e morto precocemente, aos 54 anos de idade, foi regente do Collegium Musicum de São Paulo de 1964 a 1983 quando o coro obteve, nos anos de 1964 e 1965, o prêmio de melhor conjunto coral pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). Era formado em História e Geografia pela USP e estudou violinoregência e composição no Brasil, aperfeiçoando-se na Alemanha. De 1955 a 1957 foi regente da Orquestra de Câmara Musika Vir, em Bruxelas. No Brasil era também conhecido como professor e coordenador dos cursos internacionais de música de Teresópolis e, especialmente, dos cursos e festivais internacionais de Música do Paraná, nos anos 60 e 70. Schnorrenberg regeu o Ars Nova em Março de 1971, em concerto em homenagem ao então governador de Minas Gerais, Rondon Pacheco, durante a inauguração do Grande Teatro do Palácio das Artes. No programa, o Gloria de Vivaldi e uma Serenata de Scarlatti.

Prates, von Kameke, Morelenbaum e Schnorrenberg, maestros renomados que contribuíram para impulsionar a trajetória do Ars Nova nos seus primeiros 10 anos de vida, fazem parte da história do Coral e nela merecem estar inscritos em um lugar especial. Depois deles a participação de outros regentes continuou ocorrendo de forma mais pontual, em épocas e contextos diversos e com o Coral em estágio mais avançado de maturidade artística, mas em momentos que certamente também ficaram na memória dos seus cantores. 

Filhos e netos

Ao longo da sua existência, membros do corpo de cantores do Ars Nova formaram-se profissionais do canto coral e regentes que hoje atuam em Belo Horizonte e outras cidades mineiras, bem como em outros estados e países. Do mesmo modo, já se sabe de filhos de arsnovenses que começam a ingressar na carreira da regência. Direta ou indiretamente inspirados e influenciados por Carlos Alberto Pinto Fonseca, seriam “maestros-filhos” e até, quem sabe, “maestros-netos” do Ars Nova esses regentes de corais de adultos e de crianças, coros comunitários independentes ou ligados a igrejas, empresas, escolas e Universidades, além de instituições apoiadas pelo Estado. Desconheço quantos sejam, ao todo. Mas sei que muitos reconhecem como foi fundamental a sua passagem pelo Ars Nova e o aprendizado que receberam do maestro Carlos Alberto, tanto para despertar quanto para consolidar a sua carreira. Penso que seria importante que um dia essa história também pudesse ser contada, assim como penso e desejo que o Ars Nova de hoje possa continuar a ser essa grande fonte, não só de vozes, mas também de novos talentos desse trabalho único de conduzi-las e de ajudar a manter, no Brasil e fora dele, o fio que as une: o da vida do canto coral. 

Ana Maria Lana, contralto

Com a valiosa colaboração de Suzana Meinberg e Márcio Veloso

Belo Horizonte, junho de 2020

Uma polifonia particular

Foi com muita alegria e emoção que participei dos concertos de Natal do Ars Nova em 2019, para comemorar seus 60 anos! Hoje sou professor da UFMG, já perto da aposentadoria… Mas minha história com o Ars Nova vem de longa data. De quando eu ainda era um calouro no curso de Psicologia da UFMG!

Quando passei no vestibular, em 1983, tudo era mágico para mim. A Universidade oferecia uma infinidade de possibilidades acadêmicas. Professores excelentes, laboratórios de qualidade, pesquisas de ponta sendo realizadas. Mergulhei de cabeça na Universidade. Naquele momento, eu ainda não sabia que nunca mais sairia do universo maravilhoso da academia e da pesquisa científica. 

Além dos aspectos acadêmicos, a entrada na Universidade permitiu que eu tivesse uma das experiências culturais mais marcantes da minha vida. Uma experiência musical do mais alto nível. Logo que me matriculei como estudante universitário, aos 18 anos, fiz o teste para cantor do Ars Nova. O processo era dificílimo e composto de várias e exaustivas fases. Quem passava pelas primeiras etapas era convidado para um estágio de três meses, seguido de um teste público, em quarteto a cappella, na frente dos colegas. Com as pernas bambas fui até o fim. Passei em todas as provas, fui admitido no Coral e, poucos meses depois, estava viajando pela Europa com o grupo. 

O coral Ars Nova foi uma experiência mágica para mim e que coincidiu com os cinco anos da graduação em Psicologia. Desde os primeiros anos da escolarização eu me encantei pela música coral. Cantei no Coral Prof. Guilherme de Azevedo Lage, do Colégio Municipal de Belo Horizonte. Em uma época que, infelizmente, já ficou para trás, na qual a educação pública era de extrema qualidade. Mas cantar no Ars Nova, que era considerado pela crítica especializada como um dos melhores corais do Brasil e, sem risco de ser bairrista, um dos melhores do mundo, era uma aventura quase impensável.

Tive esse privilégio de participar do grupo, em um de seus momentos mais exuberantes e de reconhecimento internacional. A lista de prêmios e de apresentações de gala que contabilizei cantando no Ars Nova é extensa. Em 1985, por exemplo, vencemos dois dos principais concursos internacionais, um na Suíça e outro na Espanha. 

Festival Internacional de Música de Cantonigrós, Espanha, 1985

A fruição estética em cada ensaio e em cada apresentação do coral foi muito marcante e tenho lembranças vívidas. Mas, só hoje, muitos anos depois, é que consigo perceber outra marca deixada pelo coral em mim: a experiência da polifonia. 

Cantando no Ars Nova desenvolvi o espírito de produção coletiva e colaborativa que atravessa toda a minha vida acadêmica e tem um valor significativo sobre ela. Durante os ensaios e as apresentações, eu me sentia cada vez mais estimulado pelos desafios de harmonizar as melodias em função daquela variedade de vozes que estava presente no coro. O exercício corporal da polifonia. De origem grega, o termo significa múltiplos sons organizados simultaneamente. É um conceito caro à música, mas que tem sido apropriado por diferentes campos como a linguística, o teatro e até mesmo a Psicologia. A definição foi usada por Mikhail Bakhtin, em 1929, em sua análise da obra poética de Dostoiéviski. Também é abordado por vários intelectuais do final do século XX e que exerceram influência na Psicologia e, por extensão, sobre a minha própria formação, como o francês Jacques Lacan nas discussões sobre os conceitos de significado e significante.

Utilizo essa reflexão sobre a polifonia porque, como disse, é um conceito que atravessa não apenas minha formação em Psicologia, mas toda minha atuação profissional. 

Uma das minhas atribuições, como professor e pesquisador da UFMG, é publicar artigos em revistas científicas, livros e capítulos de livros. Em poucas palavras, é uma das formas que a Universidade tem para devolver à sociedade parte dos investimentos feitos com o dinheiro público. Pois bem, muito recentemente observei que das mais de 70 publicações que fiz ao longo da minha carreira, mais de 90% delas foi em coautoria, ou seja, em colaboração com outros autores. É nesse ponto que retomo a importância que a experiência polifônica teve em minha carreira e em muitos dos traços profissionais que desenvolvi. Tenho consciência de que vários dos textos que publiquei eu poderia ter feito sozinho, sem a participação de outros autores. Mas é esse germe da polifonia, que foi tão bem cultivado no Ars Nova, que vem à tona! É como se houvesse uma necessidade interior, pulsante, de que o diálogo de múltiplas vozes seja concretizado em uma obra só. Uma necessidade polifônica…

Por essas e outras, sou eternamente grato ao Ars Nova!

Sérgio Cirino, baixo
(1984 – 1988)

Belo Horizonte, 18 de junho de 2020

Ars Nova presta homenagem ao maestro e compositor Carlos Alberto Pinto Fonseca

No mês de junho, o Ars Nova – Coral da UFMG comemora o aniversário do renomado maestro e premiado compositor Carlos Alberto Pinto Fonseca, que esteve na liderança do Coral durante 41 anos. Em sua homenagem, o Ars Nova lança o coro virtual de Ponto de Oxum-Yemanjá, obra composta por Carlos Alberto em 1965.

Assista agora:

Ponto de Oxum-Yemanjá (1965) exemplifica a espiritualidade que marca toda a obra de Carlos Alberto – nesse caso, através da temática Afro-brasileira. O compositor tinha reconhecido interesse na interlocução entre diferentes culturas, assim como entre a música popular e a chamada música erudita.

O coro virtual é uma produção realizada à distância, em contexto de trabalho remoto que o Ars Nova adotou em março de 2020 devido à pandemia global do novo coronavírus. Sua realização tem parceria da Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Música da UFMG e Pró-Reitoria de Extensão da UFMG.

Os vídeos anteriores, com a obra sacra Agnus Dei, da compositora Emily Doll, e as canções Apesar de Você, de Chico Buarque, e MLK, do U2, estão disponíveis no youtube do Ars Nova.

Carlos Alberto Pinto Fonseca

Carlos Alberto nasceu em Belo Horizonte no dia 07 de junho de 1933. Em sua formação musical, estudou no Conservatório Mineiro de Música, mudou-se para São Paulo e, depois, para Salvador, onde se formou em Regência Coral. Em seguida, fez um curso de Especialização em Regência de Orquestra na Alemanha, e ainda morou na Itália. A partir de 1963, de volta ao Brasil, sua história se entrelaça com a do Ars Nova.

O Ars Nova tem mais de 60 anos de existência – desses, 41 sob a regência de Carlos Alberto Pinto Fonseca. Nesse período, o coro adquiriu reconhecimento mundial. Foram mais de 20 excursões nacionais e internacionais, incluindo festivais como o Concurso Polifônico Internacional Guido d’Arezzo, o Festival de Coros de Atenas e o Festival Internacional de Música de Cantonigròs. Nesse período, foram realizadas cerca de 1.400 apresentações em 79 cidades de 12 estados brasileiros, mais 66 cidades de 17 países, em palcos tão distintos como o Lincoln Center, de Nova York, e a Casa de Ópera Teatro Municipal, de Ouro Preto. Com Carlos Alberto, o Ars Nova ainda registrou a gravação de oito trabalhos, entre eles, o LP da Missa Afro-Brasileira, composição premiada de Carlos Alberto Pinto Fonseca, em 1987, e a estreia mundial da obra Réquiem de Durante, de Francesco Durante (1684-1755), gravada em 2000.

Foi sob a coordenação de Carlos Alberto, também, que o Ars Nova passou a integrar a UFMG – naquele momento, Universidade de Minas Gerais – a convite do então reitor Aluísio Pimenta.

Novo coro virtual do Ars Nova homenageia profissionais de saúde

Em trabalho remoto desde março, devido à pandemia de coronavírus, o Ars Nova – Coral da UFMG apresenta mais um coro virtual para o público. O vídeo com a canção MLK, do grupo irlandês U2, é um agradecimento e uma homenagem do Ars Nova aos profissionais de saúde que continuam se dedicando e se expondo na linha de frente do combate ao vírus. 

A música traz no título as iniciais de Martin Luther King, ativista político e líder do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos. Trata-se de uma breve e suave balada, lançada no disco The Unforgettable Fire, em 1984. O coro virtual tem arranjo de Bob Chilcott e solo do tenor Hendrigo del Freitas. Assista agora:

Para o maestro Lincoln Andrade, “a realização dos coros virtuais é um trabalho que pode e deve ser feito em casa. O propósito não é só mostrar uma produção nesse período de quarentena, mas também enviar para o público um produto com a esperança de amenizar as tensões de um momento tão delicado pelo qual todos passamos”. Os vídeos anteriores, com a obra sacra Agnus Dei, da compositora Emily Doll, e com a canção Apesar de Você, de Chico Buarque,  estão disponíveis no youtube do Ars Nova.

A produção dos coros virtuais tem parceria da Escola de Música, da Pró-Reitoria de Extensão e da Universidade Federal de Minas Gerais. Enquanto comunidade da UFMG, o Ars Nova ainda chama a atenção para a campanha de financiamento coletivo Colabore Hospitais UFMG, que tem objetivo de arrecadar recursos para aquisição de medicamentos, insumos, equipamentos e serviços destinados ao Hospital das Clínicas da UFMG, Hospital Risoleta Tolentino Neves e Unidade de Pronto Atendimento Centro-Sul, os dois últimos gerenciados pela UFMG e pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep).

Campanha Colabore Hospitais da UFMG

A campanha foi idealizada em virtude do aumento de atendimentos a pessoas diagnosticadas com Covid-19, demais síndromes respiratórias agudas e outras emergências, o que resulta em crescimento diário na taxa de pacientes. As unidades de saúde vinculadas à UFMG – de atendimento básico e de alta complexidade – verificam queda expressiva em seus estoques e na capacidade de assistência à saúde.

Desenvolvida pela UFMG em parceria com o Instituto dos Advogados de Minas Gerais (IAMG) e a Fundep, a campanha foi iniciada no em 24 de março e já arrecadou R$4,976 milhões, dos quais R$1,876 milhão foram destinados ao Hospital das Clínicas, R$856 mil ao Risoleta Neves e R$216 mil à UPA Centro-Sul.

A campanha de financiamento coletivo conta ainda com apoio institucional da Justiça Federal de Minas Gerais, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Seção Minas Gerais, da Associação do Ministério Público de Minas Gerais e da Associação dos Juízes Federais de Minas Gerais.

Como colaborar

O volume arrecadado na campanha de financiamento coletivo é gerenciado pela Fundep. Os interessados em contribuir podem transferir qualquer valor para o Banco do Brasil (001), agência 1615-2, conta corrente 960.419-7 (CNPJ da Fundep: 18.720.938/0001-41). Também podem ser doados bens ou equipamentos; nesse caso, basta entrar em contato com a Diretoria de Cooperação Institucional da UFMG por meio dos telefones (31) 3409-4555 e (31) 99306-0348 ou do e-mail gab@copi.ufmg.br.

O Réquiem de Durante

Otto Drechsler, alemão naturalizado brasileiro nos anos 70 e radicado no Rio de Janeiro, era engenheiro de som (produção e edição), considerado um mestre da gravação no Brasil. Até falecer, em dezembro de 2018, trabalhou para numerosos artistas da música clássica e popular no país e era conhecedor e apreciador da música lírica. Conhecia o Ars Nova há vários anos, tendo feito o trabalho de gravação da Missa Afro-Brasileira em 1989 quando, no início do ano 2000, apareceu em Belo Horizonte trazendo uma história que nos surpreendeu a todos. Junto com ela, uma fascinante proposta de trabalho.

Otto contou que, muitos anos antes, durante uma viagem à Alemanha, bisbilhotando em um sebo na cidade de Dresden encontrou as partituras, em cópias manuscritas antigas, de uma das duas Missas de Réquiem de autoria de Francesco Durante, compositor italiano do século XVIII, considerado um mestre da composição da música coral e um dos grandes nomes da música sacra do período. Quando viu o que tinha nas mãos, não teve dúvidas: comprou as partituras e as trouxe para o Brasil, guardando-as consigo durante muito tempo, pois queria ouvir e gravar aquela obra com o Ars Nova e nenhum outro coral. E mais: de acordo com ele, seria o primeiro registro mundial em gravação comercial da “Missa de Réquiem a oito vozes em Dó Menor” de Francesco Durante, escrita para cinco solistas, coro misto duplo e orquestra. 

Filho de um sacristão e cantor de igreja, Durante nasceu em 1684 em Frattamagiore, perto de Nápoles e faleceu em 1755, em Nápoles. Há poucas informações sobre sua formação de compositor e cembalista e sobre seus estudos musicais, mas afirma-se que foi aluno de Alessandro Scarlatti, o autor do “Exsultate Deo” tantas vezes cantado pelo Ars Nova. Sua carreira didática começou, aliás, em substituição ao próprio mestre no Conservatorio Sant’Onofrio, uma das tradicionais escolas de música de Nápoles. Teve discípulos famosos, entre eles Giovanni Baptista Pergolesi.  Foi um dos poucos compositores italianos a nunca compor uma ópera, mas era altamente respeitado como compositor de música sacra e como professor. Segundo alguns autores, na área da composição para coros, seu único rival foi Händel. Rousseau o considerava “le plus grand harmoniste d’Italie”. Assim, uma figura de importância na música do período barroco italiano, porém pouco conhecida em nosso meio e, até então, ausente no repertório do Ars Nova, poderia ter uma obra sua gravada por nós pela primeira vez no mundo. Desnecessário dizer que a proposta de Otto foi aceita com entusiasmo. 

As partituras foram editadas, começaram os ensaios e o trabalho de gravação foi planejado e executado por Otto e sua equipe no auditório da Fundação de Educação Artística, no ano de 2000. Se não nos falha a memória, Otto encarregou-se ainda de buscar os recursos financeiros e de contratar a empresa encarregada da finalização e da distribuição dos CDs.

O trabalho instrumental foi feito por uma orquestra de câmara formada por componentes da Orquestra MUSICOOP, com Regina Lacerda no órgão contínuo. O Ars Nova, que na ficha técnica do disco consta equivocadamente como Coral da Universidade do Estado de Minas Gerais, teve como preparadores vocais seus cantores Suely Lauar e Helcio Pereira e, como solistas, os sopranos Lilian Assumpção e Luciana Monteiro de Castro, o contralto Rita Medeiros, o tenor Marcos Thadeu e o barítono José Carlos Leal. O maestro Carlos Alberto Pinto Fonseca e seu assistente Rafael Grimaldi trabalharam com dedicação e sensibilidade, percebendo e transmitindo a beleza da obra e afirmando a importância do seu registro inédito.

Depois de finalizado em alta definição pela empresa alemã Mazur Media GmbH, em 2001 o CD foi lançado e distribuído na Alemanha como primeira gravação mundial, como consta na capa. Uma pequena parcela da tiragem foi enviada ao Brasil e todos os participantes receberam um exemplar do produto final. O resultado do registro sonoro é de alta qualidade, como se poderia esperar dessa união de competências na última parceria de trabalho do Ars Nova com Otto Drechsler.

O CD possui apresentação bem cuidada, com encarte contendo a ficha técnica (incompleta por faltarem os nomes dos coristas e dos músicos da orquestra) e um texto em inglês, alemão, francês e português sobre o compositor, a obra e os intérpretes, elaborado pelo próprio Otto com citações resumidas de um livro sobre Durante escrito por Andrea Della Corte. É interessante notar que o disco inclui uma faixa com a gravação, feita previamente, do “Magnificat” de Manuel Dias de Oliveira, compositor do período colonial brasileiro, contemporâneo de Durante. No seu texto, Otto Drechsler justifica a inclusão da peça por mostrar ser inegavelmente influenciada pelos compositores da Escola Napolitana. 

A mesma gravação encontra-se disponível em plataformas de streaming, (Spotify, Deezer), porém obtida de um relançamento da obra datado de 2008 e feito por outra empresa licenciada, com apresentação diferente da original e que se encontra à venda em uma conhecida loja virtual internacional. Um canal do YouTube com quase sete mil inscritos publicou, em 2015, um vídeo com a gravação completa onde constam os créditos principais e os mesmos dados do relançamento de 2008.

Como se pode obter em sites de busca na internet, essa Missa de Réquiem de Francesco Durante, ao que parece só veio a ser gravada novamente em 2016 pelo coro inglês Christ Church Cathedral Choir, de Oxford, que existe há 500 anos. A versão da Missa gravada por esse coro também foi transcrita a partir de uma cópia antiga – uma das mais de cinquenta que existem espalhadas pela Europa, segundo informado no site do grupo – e editada pelo seu regente atual, Stephen Darlington, sendo executada pela primeira vez para essa gravação.

O fato de ter sido apenas gravado, mas não produzido, finalizado e distribuído no Brasil provavelmente ajudou a fazer com que esse maravilhoso trabalho do Ars Nova tivesse ficado pouco conhecido no mundo da música coral no nosso país. Sua apresentação no cenário artístico de Belo Horizonte se deu em Novembro de 2002, em duas noites de concerto, no Teatro Sesiminas e no Grande Teatro do Palácio das Artes, numa bela e impactante montagem dramatizada, concebida e dirigida pelo ator Cacá Carvalho, com figurinos criados especialmente para o evento e a participação da Orquestra de Câmara do Sesiminas e de Eduardo Ribeiro no órgão positivo. O espetáculo, produzido com o patrocínio de várias empresas, foi realizado pela Associação Cultural Ítalo-Brasileira (Acibra-MG) em homenagem in memoriam ao maestro Sérgio Magnani, primeiro regente do Ars Nova, falecido em 2001 e que teria declarado que “se um dia houver uma homenagem à minha pessoa, gostaria que fosse um Réquiem”. 

Cartaz do concerto “Missa de Réquiem” no Palácio da Artes. Foto: Jaques Diogo.

Não conseguimos encontrar muitos registros desse evento que está entre os mais importantes nos últimos anos de atividade do coro, antes de sua interrupção em 2008. Mas na nossa memória certamente irão permanecer registrados aqueles momentos de rara beleza proporcionados por uma obra que, passados 300 anos, o Coral ajudou a revelar ao mundo moderno ao gravá-la pela primeira vez, depois que Otto Drechsler a encontrou e identificou com a qualidade sonora e artística do grupo. Essa é uma história que, assim como outras, o Ars Nova merece ter incluída em um lugar muito especial na sua própria história.

Ana Lana, contralto (1967 a 1971 / 2001 a 2004)

Com a ajuda do Núcleo Histórico, em especial a de Jaques Diogo, tenor (1992 a 2007)

Belo Horizonte, abril de 2020