60 anos, muito o que comemorar
Um aniversário de 60 anos não se resume somente a números. Se bem que eles impressionam.
Ao longo destes anos, mais de 400 pessoas cantaram no Ars Nova; foram mais de 13 viagens ao exterior, desde a primeira, em 1969, para os Estados Unidos; pelos menos 4 importantes maestros do cenário musical brasileiro assumiram a regência titular; o repertório soma mais de 500 obras da literatura coral mundial; foram mais de 1.500 concertos em 79 cidades de 12 estados brasileiros, bem como 67 cidades de 17 diferentes países; o Ars Nova recebeu 08 premiações máximas em festivais nacionais e internacionais, sem contar os prêmios de 2º e 3º lugares.
Mas além dos números, o que devemos comemorar é a resistência, a perseverança, a fé na continuidade de um trabalho de excelência, de qualidade inquestionável, de disciplina, de rigor técnico.
Música e memória, vozes e canto, beleza e técnica, o tradicional e o inédito são binômios que caminham juntos e servem para expressar e resumir a importância do Ars Nova-Coral da UFMG no cenário musical erudito brasileiro por todos estes anos.
Duas estórias para contar
Em 1976, eu estava em Porto Alegre, RS, onde participava de um festival de coros promovido pelo Coral da UFRGS, na ocasião do aniversário de 25 anos daquele coral.
Era um festival reduzido, com a participação de coros convidados. Da Argentina, o Coro Laudis; do Uruguai, o Coro Cláudio Monteverdi, do Rio Grande do Sul, além do Coral da UFRGS, o Madrigal Palestrina; de Brasília, o Madrigal de Brasília e o Coral do SESI de Brasília, do qual eu fazia parte e de Belo Horizonte o Ars Nova.
Um dos concertos inesquecíveis que assisti nesse festival foi exatamente o do Ars Nova. Na Catedral de Porto Alegre, num domingo de manhã, eles apresentaram a recém-criada Missa Afro-Brasileira, do maestro Pinto da Fonseca. Eu disse pra mim mesmo: “um dia ainda vou cantar neste coro!”
Em 2006, eu estava na Polônia, participando de um festival internacional de coros, regendo o Coral Brasília, outro excelente grupo brasileiro.
Depois de um dos concertos, aproximou-se a senhora Sonja Rainer, membro da Associação Coral Européia e me perguntou se eu conhecia o maestro Pinto da Fonseca. Com muita tristeza, fui o portador da notícia de que o maestro havia acabado de nos deixar.
Depois de algum silêncio, Sonja Rainer afirmou que o maestro era um músico fabuloso e o seu coro, o Ars Nova, marcou presença de maneira inesquecível nos muitos festivais europeus dos quais participou. Eu disse pra mim mesmo: “um dia ainda vou reger este coral!”
O Ars Nova e a Universidade Federal de Minas Gerais
Nos últimos anos, a parceria entre a UFMG e o Ars Nova tornou-se quase que uma cumplicidade. A UFMG dá a solidez, a representatividade, o reconhecimento, a institucionalização. O Ars Nova devolve em competência, seriedade, qualidade e compromisso com a educação a cultura e a extensão universitária, pilares importantes do ensino superior brasileiro.
Para o Ars Nova é um privilégio fazer parte de uma instituição democrática, que se preocupa em manter em níveis altíssimos o compromisso com o público, a qualidade da educação, a preservação da memória e a fomentação da cultura. Na verdade, isso é mais do que uma parceria, mais do que uma cumplicidade; é uma simbiose.
O Ars Nova hoje
O Ars Nova-Coral da UFMG hoje conta com 22 cantores: 6 sopranos, 6 contraltos, 5 tenores e 5 baixos. Fazem parte também um pianista acompanhador, uma maestrina assistente, um regente titular, uma estagiária de comunicação, um bolsista de produção, uma produtora e uma secretária geral. Ele é um setor da Escola de Música da UFMG e realiza os ensaios no Conservatório da UFMG.
Recentemente o Ars Nova foi aprovado na Lei Rouanet de incentivo à cultura, processo importante que autoriza o grupo a participar da política de captação de recursos financeiros junto a empresas privadas, pessoas jurídicas e até mesmo pessoas físicas em troca de reduções de parte do Imposto de Renda devido.
Estamos capitaneando 2 importantes projetos este ano:
· O Ars Nova na Estrada, de caráter extensionista, cultural e educacional que promove a divulgação do Ars Nova em várias cidades de Minas Gerais, principalmente aquelas que sediam Conservatórios Estaduais e Universidades Federais que possuem o ensino da música, além de outras capitais brasileiras.
· O Seminário Ars Nova de Regência Coral, de caráter educacional, que pretende fazer com que jovens maestros e estudantes de regência possam receber orientações técnicas de regência coral e ter a oportunidade de reger um grupo coral de excelência.
Se você deseja, ou conhece alguém que queira nos ajudar financeiramente e que gostaria de obter os benefícios da Lei Rouanet, fale conosco, nos canais de comunicação deste site.
A Programação
A programação de concertos do Ars Nova-Coral da UFMG está sendo construída, com muito carinho, o longo do ano.
O primeiro concerto realizado foi dia 08 de março de 2019, no Dia Internacional da Mulher. No programa, obras de mulheres compositoras; na regência, a maestrina assistente Riane Menezes. As solistas foram Carol Claret e Sônia Apcon, cantoras do Ars Nova. Na plateia, um público intenso, interessado, que lotou o auditório do Conservatório da UFMG.
Você quer assistir ao próximo concerto do Ars Nova-Coral da UFMG? Então, anote aí:
· dia 27/05, segunda-feira, às 20:00, no auditório da Assembleia Legislativa de Minas Gerais: O Romantismo Alemão e o Impressionismo Francês.
Esperamos você lá! Depois do concerto, venha falar com a gente!
Lincoln Andrade
Coordenador e Regente Titular do Ars Nova-Coral da UFMG
