Foto: Foca Lisboa | UFMG

A Escola de Música da UFMG recebe com pesar a notícia do falecimento da cantora lírica Maria Lúcia Godoy: ícone da música brasileira

É com profundo pesar que registramos o falecimento da cantora lírica Maria Lúcia Godoy, ocorrido em 15 de maio de 2025, em Belo Horizonte (MG). Aos 100 anos, Maria Lúcia é reconhecida como uma das maiores cantoras líricas da história do Brasil, deixando um legado incomparável para a música e a cultura nacional. Seu velório será realizado no Palácio das Artes, seguido do sepultamento no Cemitério do Bonfim, na capital mineira.

Nascida em Mesquita, Minas Gerais, em 2 de setembro de 1924, Maria Lúcia Godoy conquistou o mundo com sua voz singular — comparada por Ferreira Gullar a “um pássaro voando” e por Carlos Drummond de Andrade ao “ouro que não se destrói”. Especialista na obra de Heitor Villa-Lobos, sua interpretação das Bachianas Brasileiras nº 5 é uma das mais célebres, consolidando-a como a principal intérprete do compositor. Sua versatilidade permitiu-lhe transitar com maestria entre a música erudita, as modinhas imperiais, serestas e o cancioneiro popular, unindo a sofisticação da música de câmara à alma da música brasileira.

Ao longo de sete décadas de carreira, Maria Lúcia se apresentou em palcos de prestígio no Brasil e no exterior, como solista de orquestras renomadas, incluindo a Philadelphia Orchestra e a Orquestra Sinfônica Brasileira. Sua trajetória internacional abrangeu Europa, Estados Unidos, Oriente Médio e Ásia, levando a música brasileira a novos horizontes. Fundadora e solista do Madrigal Renascentista, participou de momentos históricos, como a inauguração de Brasília, a convite de Juscelino Kubitschek, e o translado dos restos mortais de D. Pedro I, em Lisboa.

Além de sua genialidade musical, Maria Lúcia foi escritora, autora de quatro livros infantis com temas ecológicos e cronista durante 11 anos no jornal Estado de Minas, onde defendeu com paixão a preservação da natureza. Formada em Letras pela UFMG, recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela universidade em 2016, além da Grã-Cruz da Inconfidência, entre outras condecorações. Seu último álbum, Acalantos (2012), reflete sua sensibilidade e dedicação à arte.

Maria Lúcia Godoy inspirou gerações — de Tom Jobim a Milton Nascimento — e tocou corações anônimos, como o gari que, certa vez, lhe disse que sua voz trazia “paz no coração”. Sua partida deixa um vazio imenso, mas seu canto ecoará eternamente pelas montanhas de Minas e além, como símbolo vivo da identidade musical brasileira.

Diretoria da Escola de Música da UFMG

Nota de Pesar – Maria Lúcia Godoy