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Seminários em Processos Analíticos e Criativos [2018s2]


aula 01 [6/set/2018]




José Henrique Padovani









[1] apresentação mútua
(tópicos de interesse, estudo e pesquisa; prática criativa/analítica; etc.)

[2] sobre os 3 seminários

[3] questões práticas: links, trabalho, pasta compartilhada



[4] temas, seminário 1:



tema 1:

Processos analíticos e criativos e pensamento transdutivo



tema 2:

Alguns aspectos da poética, das ideias e dos processos criativos de Gérard Grisey



[ . . . ]




ideia:

articular, em cada encontro:




[1] temas de reflexão, especulação, teorização, crítica, etc.




[2] trabalhos práticos de análise/criação




...tanto quanto possível, entretanto, realizar isso buscando uma continuidade – ou melhor ainda, uma conjunção – entre reflexão e prática analítica/criativa.




sentido eminentemente prático: organizar os 3 seminários em duas partes...





1ª parte: dedicada, principalmente, à

reflexão e crítica a partir de textos selecionados




2ª parte: mais dedicada à

prática analítica e criativa



...links importantes:


a) da página desse módulo do curso;

b) da pasta compartilhada;

c) de envio de trabalhos.



e-mail: padovani.aulas [arroba] gmail [ponto] com



trabalho desse módulo:



...duas opções:


[1] rascunho analítico:
esboço inicial de um ensaio crítico-analítico, por exemplo, na forma de um resumo-estendido que aborde ou elabore temas relacionados àqueles vistos nas aulas

[2] rascunho criativo:
esboço inicial de uma peça/projeto criativo que se relacione, igualmente, às questões abordadas nos textos e análises (rascunho: incluindo notação, notas de texto, etc.)



Trabalho será apresentado em forma de seminário na aula do dia 20 (20min cada), seguido de uma discussão coletiva sobre os resultados e possíveis desdobramentos.



Processos analíticos e criativos e pensamento transdutivo




questão 1: relação entre criação e análise



ou...



como e em que ponto, os processos criativos deixam de ter o dinamismo da "criação" como território principal de atividade intelectual

...e passam a priorizar uma abordagem reflexivo-analítica que se atém àquilo que já está criado -- ou mesmo, "àquilo que se irá criar" com o uso de esquemas/procedimentos composicionais --, valendo-se de processos mentais que priorizam a esquematização, enquanto procedimento central da investigação analítica.



ou, de outra maneira ainda...


análise
se volta àquilo que não mais está em processo de individuação, mas que já se individuou (e pode ser seccionado, correlacionado, decomposto, etc.).

composição/criação
se volta ao processo dinâmico que leva à individuação
"...tornar sensíveis forças não sensíveis" [Klee->Deleuze->Feneryhough]



questão 2: transdução








transdutor
interconversão entre formas de energia

biofísica
transporte de energia de um elétron a outro

biologia
qualquer processo pelo qual uma célula biológica converte um tipo de sinal ou estímulo para outra

fisiologia
transporte de estímulos no sistema nervoso

Gilbert Simondon (1924-1989)

L’individuation: à la lumière des notions de forme et d’information. S.l.: Editions Jérôme Millon, 2005[1958].

Du mode d’existence des objets techniques. Paris: Aubier, 1989[1958]. 333 p.




L’individuation: à la lumière des notions de forme et d’information...

Aborda a questão da gênese dos indivíduos e da individuação não a partir de uma concepção ontológica ligada à tradição existencialista-fenomenológica...

...mas como processo físico, dinâmico e energético em que aquilo que se individua se destaca “à frente” de um “fundo” a partir de um
processo transdutivo.






Nós entendemos por transdução uma operação física, biológica, mental, social, pela qual uma atividade se propaga ponto a ponto no interior de um domínio, fundando tal propagação sobre a estruturação de um domínio de lugar em lugar: cada região da estrutura constituída serve à região seguinte como princípio de constituição, de maneira que uma modificação se estende assim progressivamente ao mesmo tempo que essa operação estruturante. (p. 27, t.n.)




...crítica ao hilemorfismo





conceito de Avicebron (Salomão ibne Gabirol), a partir de Aristóteles, que define

causa material e causa formal [além de causa eficiente e causa final]





individuação técnica


A operação técnica que impõe uma forma a uma matéria passiva e indeterminada não é somente uma operação abstratamente considerada pelo espectador que vê aquilo que entra na oficina e aquilo que de lá sai sem conhecer a elaboração propriamente dita. É, essencialmente, a operação comandada pelo homem livre e executada pelo escravo: o homem livre escolhe a matéria, indeterminada simplesmente porque é suficiente designá-la genericamente pelo nome de substância, sem a ver, sem a manipular, sem a preparar: o objeto será feito de madeira, de ferro ou de terra. A verdadeira passividade da matéria é a sua disponibilidade abstrata última; a ordem dada que os outros executarão. (...) O caráter ativo da forma, o caráter passivo da matéria, respondem às condições de transmissão da ordem que supõe uma hierarquia social: é no conteúdo da ordem que a indicação da matéria é algo indeterminado já que a forma é determinação, exprimível e lógica. É assim através do condicionamento social que a alma se opõe ao corpo: não é pelo corpo que o indivíduo é cidadão, participa dos juízos coletivos, das crenças comuns, sobrevive na memória de seus concidadãos: a alma se distingue do corpo como o cidadão do ser vivo humano. A distinção entre forma e matéria, entre alma e corpo, reflete uma cidade que contém cidadãos em oposição aos escravos.
(SIMONDON, 2005[1958], p. 51, t.n.)



Pensamento transdutivo


Mais do que modalidade lógica (como indução, dedução e mesmo abdução [Peirce])...

seria uma forma de pensar que leva em conta o processo de individuação/transdução em seu dinamismo.






No pensamento transdutivo, não há resultado de uma síntese, mas somente uma relação sintética complementar; a síntese não se efetua; ela não é jamais alcançada; não existe ritmo sintético porque a operação de síntese não sendo jamais efetuada não pode tornar-se o fundamento de uma nova tese.

Segundo a tese epistemológica que nós defendemos, a relação entre os diferentes domínios do pensamento é horizontal. Ela é uma questão de transdução. Isto é, não se trata de identificação ou hierarquização, mas de repartição contínua segundo uma escala indefinida.

(SIMONDON, 2005[1958]: 111, t.n.)

Para pensarmos/trabalharmos...

1. possibilidade de pensar a própria relação análise/criação como uma relação transdutiva



a) entrever uma interconexão/membrana entre os dois campos, o que implica


...pensar a criação como "caixa de ressonância", "campana" ou "câmara de reverberação" da análise;

...pensar a análise como "elemento excitador" ou "impulso/estímulo inicial" da composição/criação



b) processos criativos e analíticos enquanto processos que não tratem apenas de esquematismos e apreensões abstratas...

...mas que permitam também vivenciar, experimentar e acompanhar os processos dinâmicos aos quais se voltam.

2. poética da análise (BERIO) / poética composicional:

criar estratégias poéticas/analíticas (de estudo, escrita, análise, experimentação, criação, etc)...

...que tenham como utopia superar esquematismos análogos àqueles identificados por Simondon no hilemorfismo
[entendido enquanto visão de mundo, princípio epistemológico e, também, enquanto atitude ética e política]